irreparable dream
Sonhos de papel. @divineintention




posted : domingo, 25 de dezembro de 2011
title : Outono Frio

Outono, Grã Bretanha, 1815.

O cantar dos passarinhos era gracioso naquela manhã de sábado, o cheiro das folhas caindo num outono frio fazia Elizabeth encolher-se entre os lençóis da enorme cama de casal em seu quarto quentinho, protegido. Sentiu o braço do marido a envolver por baixo do tecido de sua camisola fininha, puxando-a mais para si.

Suspirou satisfeita com um sorriso no rosto de boneca.

Casar-se cedo fora uma escolha propriamente sua, sem intervenção de seus pais que já estavam candidatando pretendentes nada agradáveis, mas Elizabeth sabia que sua outra face estava no elegante Henry Paltrow, comerciante e dono de seu cálido coração.

Apertou-se mais ao corpo esguio do marido, virando em sua direção apenas para fitar seus traços másculos que a intimidavam tanto. Em um ato ousado levou a mão ao rosto de Henry em um carinho delicado, quase invisível, ao traçar a linha de seu maxilar o despertando sem a mínima intenção.

Henry abriu os olhos esverdeados fitando a esposa calorosa distribuindo seu cuidado e não demorou a depositar um beijo em sua delicada mão. Elizabeth adornava todos os seus pensamentos com apenas seu olhar determinado, as duas íris chocolate o fitando com paixão fazendo seu coração duro partir-se em milhões de caquinhos.

- Bom dia, Sr. Paltrow – Murmurou sonolenta piscando fortemente os olhos, seus cílios tremelicando.

- Muito bom, Sra. Paltrow – Sorriu e depois levou a mão que antes acarinhava a pele leitosa de Elizabeth para acarinhar sua face de traços delicados, nariz pontudinho, boca de coração.

Henry depositou um beijo lânguido nos lábios quentinhos de Elizabeth a fazendo suspirar logo cedo ao sentir o sabor doce de ambos os lábios se tocando, suas bochechas branquinhas corando em lindos tons de vermelho.

- Vá buscar nossa preciosa, Beth – Seu marido disse com a voz rouca enquanto adorava seu corpo com as mãos fortes.

Elizabeth só pôde sorrir abertamente mostrando seus dentes branquinhos e perfeitos para depois levantar cada camada de lençol e caminhar em passos leves até o quartinho ao lado. A porta de madeira nobre estava encostada, o carpete do chão diminuindo o frio. Ela entrou bem devagarzinho podendo ouvir os sons desconexos que vinham do bercinho Moisés de madeira clarinha no meio do quarto.

Enquanto se aproximava já sabia que sua bebê estava bem acordada, os olhinhos de esmeralda fitando o teto com arte barroca, os anjinhos a distraiam facilmente. Seu corpo gordinho e cheio de dobras era gracioso, o rosto de bolinha, os cabelinhos dourados e ralos na cabecinha miúda... Tudo isso fazia Elizabeth e Henry tomarem grande tempo de seus dias juntos apenas para adorar esse ser minúsculo que conceberam.

- O que a Jane tanto olha, hmm? A mamãe pode saber? – Elizabeth tentou usar seu tom mais baixo para não assustar a sua linda bebê.

Jane fitou a mãe com um sorrisinho sem dentes no rosto que logo virou uma careta, denunciando seu choro por querer o colo. Elizabeth tratou de pegá-la delicadamente nos braços, a filha acalmou quando sentiu o cheiro do leite vindo dos seios de sua mãe.

- Está com fome, preciosa? – Perguntou debilmente enquanto ajeitava Jane em seu colo, a cabecinha apoiada em seu ombro, a camisola rosinha derramada no corpo da pequenina.

Como se quisesse responder, Jane resmungou com um som abafado pela pele branca da mãe, o rostinho na curvatura de seu pescoço, suas mãozinhas agarrando o cabelo castanho de Elizabeth.

- Mamãe sabe que a preciosa dela está com fominha, mas o papai da Jane quer muito vê-la, sabia? Vamos lá ver o papai, preciosa? – Elizabeth caminhava com Jane nos braços enquanto falava, entrando em seu grande quarto, indo até a cama sobre o dorsal gigantesco.

Assim que Henry fitou as duas se aproximando, sentou-se na cama para observar sua pequena Jane nos braços da linda mãe que a trazia com um sorriso no rosto de boneca.

- Bom dia, minha preciosa – Henry murmurou para Jane que logo mexeu o pescoço gordinho em direção à voz do pai.

Elizabeth entregou a filha ao marido, que beijou a testinha da bebê sem hesitar. Era sem dúvidas a melhor cena para se ver numa manhã de sábado, sua pequena família reunida, seus dois grandes amores juntinhos bem ali ao seu alcance.

- A preciosa do papai está resmungando... Com fome, princesa? – Ele riu quando Jane enfiou o dedinho gorducho entre seus lábios, a carinha de brava fazia o pai delirar com sua aparência tão evidente, ela era Elizabeth todinha.

- Já acordou pedindo mama, querido... Dê-me ela aqui – Elizabeth ajeitou uns travesseiros atrás de sua coluna, puxando a camisola branca para baixo e expondo os seios fartos pela amamentação.

Henry posicionou uma Jane faminta entre seu objeto de desejo e deixou que ela mesmo fizesse o trabalho, agarrando com força o seio da mãe que gargalhou de sua pressa.

Ele passou os dedos pelos fios ralinhos do cabelo de sua preciosa enquanto mamava no seio da sua querida esposa, do seu amor. Elizabeth fitou o marido deliciando-se com a cena em sua frente, sorrindo abobalhado. A mãozinha em punho de Jane estava posta sobre o seio da mãe, numa manha nítida que ela adorava.

Henry fitava suas duas preciosas, embasbacado. Ele finalmente tinha tudo que nunca havia sonhado em pedir, não nessa intensidade. Se aproximou da mulher e beijou seu ombro nu, fazendo um carinho leve nos cabelos de chocolate.

Era tudo de mais precioso que tinha... Suas preciosas.

Elizabeth apenas sorria enquanto alimentava sua filha de poucos meses, sentindo seu marido distribuir beijos por seu ombro e pescoço, sabendo que não existia nada mais perfeito do que aquilo.

Sua família preciosa.

- Eu te amo, Elizabeth – Henry murmurou no ouvido de sua esposa a arrepiando com o contato e a deliciando ao mesmo tempo.

- Também te amo, meu amor – Elizabeth continuava sorrindo ao sussurrar aquelas palavras das quais ambos tinham total e absoluto conhecimento.

E assim eles continuaram ali, imersos naquele dia frio de outono, onde eram constantemente atingidos por gotas do amor mais puro e delicado.


Comentários são mais do que bem vindos... Trouxe esse conto para adoçar o dia de vocês, então me contem o que acharam. É só clicar em "comentários" aqui em baixo e deixar a sua opinião.
Um beijo e ótima semana à todos!
Manu.
13 Comentários

13 Comentários:

Às 25 de dezembro de 2011 19:36 , Blogger Mayanna E. disse...

Já que está implorando um comentário... (rs. Brincadeira)
Amei, prima. Em cada história há um pouquinho de nós. Uma gota do que ansiamos para o futuro. Sinceramente, espero que você tenha um casamento lindo como o apresentado acima. Beijo.

 
Às 26 de dezembro de 2011 06:19 , Anonymous Anônimo disse...

Que encanto, Manuela! Você tem mesmo talento, garota.

 
Às 26 de dezembro de 2011 06:43 , Anonymous Brena Panelli disse...

Já cansei de te falar o quanto você escreve bem, não é mesmo? Digo mais uma vez: Me orgulho de você, garotinha. Suas palavras são muito sábias. Gostei do conto. Lindo, como sempre! Beijos no coração de sua amiga que te gosta tanto.

 
Às 26 de dezembro de 2011 08:03 , Anonymous Ludmila disse...

Que coisa mais linda, Manu. Não preciso nem falar o quanto me orgulho de você e desse seu talento, né? Você vai longe, neném! Luv ya. s2

 
Às 26 de dezembro de 2011 18:11 , Anonymous Giulia disse...

Simplesmente, adorável. Tipo de texto que só me prende se por ti foi escrito. Parabéns Manu, você ainda vai longe e posso não te conhecer muito, mas só de ver o jeito que escreves, calculo que sejas uma pessoa incrível, extremamente amável e inteligente. Beijos e parabéns de novo.

 
Às 29 de dezembro de 2011 14:56 , Anonymous Juliana disse...

Coisa linda, porra Manuela.

 
Às 2 de janeiro de 2012 04:48 , Anonymous Anônimo disse...

Minha Princesa, como és delicada, sensivel, e uma estraordinária escritora. Realmente precisa escrever um livro urgente.
Parabéns. Te amo, meu orgulho....
Estarei ao seu lado sempre pra o que sonhar relaizar, conte comigo na sua jornada literaria estou a inteira disposição para o que precisar.
Mamãe.......

 
Às 2 de janeiro de 2012 07:52 , Anonymous Anônimo disse...

O certo é "extraordinária" tia!. Bjs

 
Às 2 de janeiro de 2012 07:54 , Anonymous Manuela disse...

Pelo amor de tudo que é mais sagrado, gente... Estou ficando envergonhada em demasia. Não façam isso comigo!

 
Às 5 de janeiro de 2012 12:23 , Anonymous Bruna Lobato disse...

Manuu! Que lindo, mal posso esperar para ver quando vai sair esse livro. Bom, estou aqui pro que precisar hein? Beijos!

 
Às 6 de fevereiro de 2012 18:57 , Anonymous Anônimo disse...

Ruim.

 
Às 19 de fevereiro de 2012 07:30 , Anonymous Larissa disse...

Eu amei o conto,ele é Taaao doce e fofo e lindo,além de super bem escrito,parabéns vc tem talento :)!

 
Às 8 de maio de 2012 19:28 , Anonymous Anônimo disse...

Nossa!Quantos elogios, não? Eu nem te conheço, mas enfim, como uma boa leitora, vou dar minha crítica sincera...Não é uma história ruim, talvez um pouco clichê e com alguns pontinhos fúteis e outros românticos demais, mas não é ruim. Mas não é escrito de forma que venha a interessar o leitor. Não possui um clímax que prenda suficientemente, o que é um problema e a linguagem torna-se brega, talvez.

Não me leve a mal, é só uma opinião. Quem sabe a gente se esbarra por aí no mundo da literatura.

E então? Te surpreendi?!

Someone...

 

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